Cinco restaurantes favoritos em Nova York
O Minetta, do restaurateur-gênio Keith McNally (Pastis, Balthazar, etc.), mostra com orgulho os anos, na madeira arranhada do balcão do bar, no teto baixinho, nas caricaturas amareladas que cobrem as paredes. Meses foram gastos no restauro dessa velha taverna do Village de modo que quase não se diferencia o novo do original. Fica numa viela, rodeado de barzinhos encardidos, neons, lojas furrecas, uma coisa assim bem alternativa. Mas sua clientela bem-vestida e ruidosa não tem nada de alternativa: famosos, aspirantes a famosos e boa parte do who’s who de Nova York. Reservar com muita antecedência é primordial.
Nunca comi algo lá que não estivesse excelente. Gosto bastante do trio de tartares, por exemplo: vitela com trufa preta, cordeiro com menta e azeitona e carne com mostarda e picles. Carnes cortadas na faca com cuidado, os cubinhos todos idênticos, de um rosa e um vermelho intensos, e claramente de uma qualidade e frescura bem superiores à média. Outro de meus favoritos é o tutano de boi servido ainda no osso, aquela gordura rica e explodindo de sabor, salpicada de salsinha e tomilho picados e, pra acompanhar, fatias tostadas de baguete.
Até o frango assado com “verduras”, que poderia ser muito sem graça, tem sabor de sobra. O franguinho, ainda cheio de seus sucos, mas com a pele dourada, chegou deitado sobre leito de espinafre amanteigado e um purê de batatas elástico, quase, e ultra sedoso. Mas verdade seja dita: quase todo mundo que vai comer lá pede a carne (maturada, perfeita) ou o Minetta Burger (com queijo cheddar e cebola caramelada).
113 MacDougal Street, esquina com Minetta Lane, tel. (212) 475-3850, www.minettatavernny.com
Esca
Andam falando ( escrevendo) muito sobre o Marea, na Central Park South. Eu, pessoalmente, acho o lugar sem charme e caro demais. Se é para comer em um bom restaurante de peixes e frutos do mar, prefiro o Esca. Simples, com toalhas brancas nas mesas e paredes pintadas de creme. Em um endereço ermo, no bairro Hell’s Kitchen e perto da megaloja de fotografia B+H, brilha pelo que traz no prato: delícias recém-tiradas do mar, sempre com a maior qualidade possível.
Os crudos são impecáveis, idem os peixes servidos inteiros, trazidos à mesa em frigideira funda de cobre. Até a sopa de pescados e mariscos merece aplausos. O chef e entendido no assunto chama-se Dave Pasternak, mas por trás dele há a mão onipresente de Mario Batali, sócio-proprietário do negócio. Este é para anotar, sem falta, no caderninho, e visitar sem falta…
Esca: 402 West 43rd Street, tel. 212 564-7272, www.esca-nyc.com
John Dory Oyster Bar
Última novidade da estação, o John Dory fica anexo ao bacaníssimo hotel Ace, em Koreatown. Um programa divertido? Chegar cedo, passear pelo lounge do lobby, super escurinho e sempre lotado de gente meio alternativa, e dali seguir para o John Dory propriamente dito, e sentar-se nas banquetas do bar de ostras.
As variedades de ostras mudam de um dia ao outro, mas se puder experimente as miudinhas e gorduchas trazidas da costa Oeste canadense: kushis ou kumamotos. Os crudos também impressionam, principalmente aquele que leva gengibre confitado, flor de sal e pedacinhos ultra crocantes da pele de peixe, como se fossem croutonzinhos do mar. Há ainda um chowder de-li-ci-o-so, com gordos nacos de lagosta, cubos de batata bem molinha e de bacon, e por cima salsinha fresca e picada grosseiramente, de propósito. Peça para acompanhar – sem falta! – os buns, pãezinhos de batata super macios e amanteigados, com crosta crocante.
John Dory Oyster Bar: 1196 Broadway, tel. 212 792 9000 (não faz reserva), www.thejohndory.com
The Breslin
Sei que já recomendei um restaurante no hotel Ace, mas…. vou recomendar o outro também! Ando encantada com o The Breslin, o gastropub da festejadíssima chef inglesa April Bloomfield. Bom demais! A espera, especialmente nos fins de semana, é chatinha, e eles não reservam, mas vale cada minuto. Primeiro, porque o bar, com pé-direito duplo, é lindo, todo de madeira com mil badulaques nas paredes. Segundo, porque uma vez que você se senta tudo o que chega à mesa é de comer de joelhos. Até uma mera salada caesar, nas mãos dela, vira uma coisa do outro mundo: as folhas emplilhadas com cuidado, inteiras, salpicadas com salsinha frita e croutons oversize. O hambúrguer de cordeiro com roquefort e maionese de cominho é dos céus, assim como os tomates assados. Tudo bem rústico, à primeira vista, mas muito bem-cuidado. Um programa diferente e muito legal? Reservar a Chef’s Table, que fica em frente à cozinha, para ir em bando, e pedir um leitão inteiro (com pelo menos dois dias de antecedência, claro) ou cordeiro – maiores detalhes no site deles.
The Breslin: Ace Hotel 20 W. 29th St. , tel. 212-679-1939, www.thebreslin.com
Daniel
Se é para comer algo super fino (e caro), para ter uma noite mais formal, então que seja no Daniel. Os concorrentes principais são ótimos, claro – Jean-Georges, Del Posto, Le Bernardin, Per Se – mas de todos acho o Daniel o mais acolhedor e bonito (muito melhorado depois da reforma assinada pelo celeb-designer Adam Tihany). Talvez seja por estarem acostumados a receberem muitos brasileiros, mas o serviço lá sempre é super caloroso. E quanto à comida, em minha opinião nunca esteve melhor (e pelo visto os inspetores do guia Michelin, que lhe deram 3 estrelas, concordam).
Da última vez que fui, era auge da primavera, por isso pedi uma salada de caranguejo do Maine, com salsão, molho de maçã Granny Smith para trazer uma bem-vinda acidez, e gotas de óleo de noz. Perfeita. Ainda melhor era o mignon de cordeiro, maravilhosamente tenro e suculento, com erva-doce confitada e polenta. Sobremesas não só deslumbrantes, mas maravilhosas: a minha, musse de iogurte grego com ruibarbo e baunilha. As mignardises eram outro espetáculo. E, no final, um sinal que sempre me inspira confiança: o próprio chef se despedia dos clientes à porta (demos sorte).
Daniel: 60 East 56th St, Nova York, tel. 1-212 288-0033, www.danielny.com




